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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Encontro Anual "Ora Vejamos..." 2009


Amizades,


O Encontro Anual "Ora Vejamos..." 2009, referente aos Concursos de Contos e Poesia do corrente ano, decorreu a 05-12-2009 no aprazível e excelente restaurante Adega do Mouzinho, em Leiria.


Juntou muitos amigos à volta do mentor do sítio "Ora Vejamos..." e dinamizador dos concursos, Henrique Sousa, entre concorrentes e acompanhantes.


Ficou-nos a lembrança duma tarde memorável que desejamos se repita mais vezes, e ficou-nos também imensa saudade dos ausentes.


A todos os Amigos do "Ora Vejamos...":


BEM-HAJAM!


Para terem uma ideia, fica aqui um vídeo do evento. É um pouco extenso, ca. de 32', mas não foi possível fazê-lo mais curto:


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Concurso de Poesia 2008

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CONCURSO DE POESIA 2008

Vai decorrer de 1 a 31 de Março de 2008, o CONCURSO DE POESIA 2008, organizado e promovido pelo site Ora, vejamos...

Inscreva-se e participe !
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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

primeiro INSTANTE

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Não são apenas os deuses que devem estar loucos...
Também eu pareço não escapar ao tropel do ensandecer. Que outra justificação poderá existir para que eu junte aos meus sete blogs, mais UM ?!
Devo ter enlouquecido pela certa !!

Na verdade, a razão é simples.
Necessito de um blog para publicação exclusivamente literária, isto é, para publicar os meus contos, estórias, memórias e ficções. E, já agora, os devaneios e as alucinações, balouços pelos mares do escrevinhar, gatafunhar e rabiscar. Os meus instantes de esbracejar bramido e agitado, de anacoreta perdido em mar encapelado, náufrago dominado pelo temor e terror de se afogar...

Tenho já alguns blogs nos quais vou publicando algumas coisas. Mas são espaços, apesar de 'temáticos', muito eclécticos.
Nos blogs dedicados a VILA REAL, a ALCÁCER DO SAL e a OEIRAS, p.ex., publico, além de memórias da minha passagem por estes lugares, não só textos mas também fotografias, desenhos, documentos vários, enfim, tudo o que possa estar relacionado com essas localidades.
O blog LENDAS TECNOLÓGICAS é literário, é certo, mas está encerrado. Finito. Corresponde a um projecto de livro que nunca viu a luz do dia, provavelmente nunca verá, e que se cristalizou sob a forma de blog. Não faria sentido acrescentar-lhe mais nada. É ponto final.
Por seu turno, o CARACOL CAROLAS é um blog generalista, "tudo ao molho e fé em Deus", sobre o qual costumo dizer que vale tudo menos tirar olhos... Nele tenho imensos textos dispersos, mas a sua consulta e leitura torna-se difícil, precisamente devido à enorme profusão de material de toda a natureza e feitio no seio do qual se encontram.
Os restantes, OLHARAPO DE OEIRAS e AI PORTUCALE são apenas divertimento e nem merecem grande menção neste contexto.

Tenho muito material por cá, de toda a ordem, pronto para publicação, sem contar com aquele que vou preparando e desenvolvendo consoante o tempo disponível que vou arranjando. Material que não se enquadra em nenhum dos blogs anteriormente citados.
Pareceu-me que só me restava uma solução. Criar mais um blog, este exclusivamente destinado à publicação do que tenho produzido, do que estou a produzir e do que espero ainda vir a escrever.

E assim, nasceu o

INSTANTES

Para inaugurar este novo espaço, começo com um curto conto que se encontra publicado na colectânea UM MAR DE CONTOS editado pela LULU, resultante do Concurso de Contos Junho-Julho 2007 do site ORA VEJAMOS...
Espero que vos agrade.


VENTO E O SONHO DOS ADOLESCENTES

O vento agitava suavemente as folhas das árvores e dos arbustos, provocando um doce murmurar na paisagem. Ao longo da negra estrada e paralelo a esta saracoteava um muro baixo pintado de branco com estranhos grafittis monocromáticos de aspecto paramilitar. Implantadas como gigantescas aranhas na ainda assim bela e imensa planície verde eram visíveis ao longe as rampas de lançamento do espaçoporto onde chegavam e de onde partiam para o espaço cósmico naves de todos os tipos. Naves de transporte de pessoas e de cargas, naves de passeio, naves de exploradores, naves militares de destinos secretos, enfim naves de todas as formas e feitios, imensas e brilhantes como sóis.

Era o que observavam os dois rapazes, amigos e colegas de escola, ao lado um do outro, deitados de bruços no alto de um pequeno morro. Um deles, morador na cidade, tinha ido passar as férias a casa do outro que habitava na pequena vila perto do espaçoporto. Este tinha-o desafiado para irem até lá para verem as naves partirem e chegarem, o que era um espectáculo fabuloso e que ele nunca tinha visto ao vivo mas com o qual tinha sonhado muitas noites.

Sonhava que era um garboso e valente comandante de uma nave militar de combate e que todos os dias tinha missões no espaço exterior, onde vivia as mais arriscadas aventuras, regressando sempre à Terra, aterrando a sua nave para ser reparada e passando o resto do dia contando aos amigos e amigas, sobretudo às amigas, as suas aventuras e ansiando por regressar ao espaço e enfrentar audaz o perigo. Enfim, sonhos de um jovem adolescente. Partilhava este sonho com o amigo. E muitas das suas brincadeiras e jogos giravam em torno desse tema. Tinham mesmo formado um clube a que, pomposamente, chamavam Clube Apollo XXI do qual eram os únicos sócios. Ora, pois se para ser sócio, tinham posto como condicionante que os candidatos soubessem de cor os nomes, as moradas e os números de telefone de todos os astronautas e os nomes, os pesos, as medidas e as velocidades de todas as naves da história espacial humana!

De tempos a tempos uma imensa nave rugidora surgia do alto, primeiro silenciosa mosquinha negra contra o azul do céu, depois troante crescendo agigantando-se, que suavemente pousava numa daquelas plataformas da esperança. Numa qualquer outra rampa, em alternância, o processo era inverso e era uma que partia. Partia para onde? Para uma terra longe da Terra. Assim lá estavam deitados os rapazes, perdidos no longe. No longe que as suas jovens vistas alcançavam e perdidos no longe que a vista não alcança. De tal modo concentrados nos sonhos e alheados dos corpos que não se aperceberam que com o lento passar do tempo o vento, que tinha sido brisa, aumentara, crescera, soprava e rugia agora com violência vergando as árvores e levantando no ar as folhas e a poeira.

O vento cresceu. Cresceu muito. Transformou-se num gigante. Um gigante que tudo estremecia e volteava. E, de súbito, uma rajada imensa, imparável, vinda talvez de uma das terras sem fim, arrimou junto dos garotos e, sem que eles o conseguissem evitar, surpreendeu-os e arrebatou-os ao solo. Içou-os no ar. Curiosamente fê-lo sem violência. Rapidamente num golpe certeiro, mas sem estremeção, como uma mãe que na praia arrebata o seu bebé afastando-o da onda que ameaça tragá-lo. Energicamente mas sem magoar. Foi assim que o vento pegou nos rapazes e os levantou no ar. Pegou neles com as palmas das mãos. E transportou-os. Foi tão rápido que eles nem conseguiram reagir. Simplesmente, planaram. Viram-se de súbito a vogar por sobre o solo a uma altura que pertence só aos pássaros. Deixaram-se levar. Que outra coisa podiam fazer?

O vento transportou-os pelo ar durante algum, breve, tempo. Quando achou que já chegava, como pai que empurra o baloiço onde o filho se diverte, murmurou-lhes um suave: chega. E começou a descê-los em direcção à terra, soltando-os docemente sobre um relvado verdejante onde ficaram deitados de bruços na mesma posição em que tinham saído do morro. Olharam à volta. Nada do que viam era reconhecível. Não viam o espaçoporto, nem o muro, nem as rampas, nada. Tudo tinha desaparecido. Viam apenas uma imensa planície relvada estendendo-se em todas as direcções, no horizonte fundindo-se com um céu que já não era azul. Era avermelhado. Olharam espantados um para o outro. Sentiam-se ligeiramente entorpecidos e paralisados. Durante alguns minutos não se mexeram. Fizeram-no bruscamente quando uma voz estranha soou atrás deles. De um salto puseram-se em pé e olharam na direcção da voz.

— Sr. Comandante e Sr. Imediato, são horas de partirmos — disse o homem alto, fardado com a farda azul da Força Espacial, ao mesmo tempo que fazia uma continência. Só então repararam que eles próprios estavam fardados com a mesma farda azul. Só então repararam na gigantesca nave vermelha e negra pousada a poucas centenas de metros. Só então repararam que não eram miúdos. Só então repararam que o vento tinha caído.
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